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"O professor escritor nunca deixará de ser um contador de histórias": a literatura de João Rodrigues Pinto

publicado: 04/01/2022 11h29, última modificação: 04/01/2022 11h29

Tudo começou no quintal dos fundos de casa, durante a sua infância. Foi brincando de imitar as cenas das novelas da TV Tupi que João começou a desenvolver sua criatividade. Depois disso, inspirado por uma professora e por sua juventude no teatro, iniciou sua transição para o que hoje seria de fato: escritor.

João Rodrigues Pinto ensina Língua Portuguesa e Literatura no IFBA, campus Vitória da Conquista, desde março de 2020. Antes disso, havia atuado no IFBaiano de 2013 a 2018, nos campi de Teixeira de Freitas e Itapetinga. Como foi transferido para nossa cidade durante o início da pandemia, não pôde ter muito contato presencial com a comunidade acadêmica, utilizando-se, assim, da literatura para ajudar na adaptação para o ensino remoto.

Ele lançou seu primeiro livro em 1992. Intitulada Canivete, a obra traz reflexões sobre a infância perdida, violência doméstica e a marginalização social. O livro foi trabalhado em escolas e faculdades e continua atemporal hoje em dia, devido à sua temática.

Ao longo do tempo, foram publicados diversos outros livros: Cindagorda (1997), Espelho do Tempo (2001), História da Imigração Italiana na Comunidade Santo Antônio (2002), A Dinâmica Textual (2003) e a coleção Novos Talentos (2007), com as obras Nó na Garganta, O Coelho e a Onça e O Chapéu do Lobo.

Para João, a forma de ensinar se relaciona diretamente com seu dom para a literatura: “O professor escritor nunca deixará de ser um contador de histórias e certamente (por experiência própria), podemos afirmar que, sim, os nossos alunos gostam, e muito, de ouvi-las. Eles sentem falta disso, gostam desse afago na alma e no coração, eis a tônica da pedagogia da amorosidade”, afirma.

Para seus alunos que desejam um dia se espelhar nele e escrever, o professor aconselha: “É um desafio, mas você nunca deve desistir de acreditar. Mesmo quando as centenas de portas se fecham, quando os livros encalham, quando a crítica é injusta e cruel, quando a mídia ignora, quando as vaias ressoam... Você terá um trunfo que a maioria não tem: o dom de brincar com as palavras, o dom de torná-las vivas, latentes, cortantes”.

Sobre seu último trabalho: Gado Bravo

Gado Bravo é o nome original de Licínio de Almeida-BA, sua terra natal. Todas as suas histórias são inspiradas nas pessoas e fatos de lá. Seu último livro apresenta três gêneros - memória, crônica e narrativa - que, de algum modo, se entrelaçam. “O livro não é uma autobiografia, mas fragmentos memorialísticos que dialogam com a prosa e a poesia, em narrativas que convidam o leitor a fazer parte dessa roda literária. Um dedo de prosa e as léguas e pelejas que realizam a nossa existência humana no mundo, mesmo em tempos conturbados e nebulosos, como o atual contexto em que vivemos”, conta.

A obra está dividida em três partes: “Narrativas da Boca do Vento”, que convida o leitor a caminhar pelas ruas de sua infância; “As Algemas de Lucas”, um mosaico narrativo onde a linha tênue entre ficção e realidade se perdem; e, por último, “Entre a Prosa e o Verso”, que ilustra a veia poética do autor.

O lançamento do livro acontecerá no dia 15 de janeiro, às 19 horas, no auditório da Câmara Municipal de Licínio de Almeida.

Patrícia Sousa