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Orientações para interação com deficientes visuais e auditivos

por Daniela Gonçalves da Silveira Freitas publicado 03/07/2018 12h59, última modificação 03/07/2018 12h59
  • Dicas Básicas

  1. Para começar, é importante destacar que as palavras agem sobre as pessoas e podem ou não discriminar. O que dizemos mostra o que pensamos e em que acreditamos. Assim, em primeiro lugar, é preciso dizer que a nomenclatura correta a ser utilizada é “pessoa com deficiência”.

  2. As pessoas com deficiência, assim como todas as pessoas, são protagonistas, com contradições e singularidades. São pessoas que lutam por seus direitos, que valorizam o respeito pela dignidade, pela autonomia individual, pela plena e efetiva participação e inclusão na sociedade e pela igualdade de oportunidades, evidenciando, portanto, que a deficiência é apenas mais uma característica da condição humana.

  3. Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar com uma pessoa com deficiência, você vai ignorar uma característica muito importante dela. Não subestime as possibilidades, nem superestime as dificuldades e vice-versa.

  4. Todas as pessoas – com ou sem deficiência – têm o direito, podem, devem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas.

  5. Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior. Provavelmente, por causa da deficiência, uma pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades, mas, por outro lado, pode ter extrema habilidade para fazer outras.

  6. A maioria das pessoas com deficiência não se importam em responder perguntas a respeito da sua deficiência. Assim, sempre que quiser ajudar ou estiver em dúvida sobre como agir, pergunte. E lembre-se: quando quiser alguma informação, dirija-se diretamente à pessoa e não a seus acompanhantes, cuidadores, intérpretes ou guia-intérprete.

  7. Sempre que quiser ajudar, pergunte a forma mais adequada para fazê-lo e não se ofenda se seu oferecimento for recusado, pois, às vezes, uma determinada atividade pode ser mais bem desenvolvida sem assistência.

  8. Se você não se sentir seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa com deficiência, sinta-se à vontade para recusar. Neste caso, procure ou indique uma pessoa que possa ajudar.

  9. Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja sempre com naturalidade. Se ocorrer alguma situação inusitada, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.

 

  • Pessoas Cegas ou com Deficiência Visual

  1. Quando se relacionar com pessoas cegas ou com deficiência visual, identifique-se, faça-a perceber que você está com ela e ofereça seu auxílio. Caso seja necessária sua ajuda como guia, coloque a mão da pessoa em seu cotovelo dobrado ou em seu ombro, conforme a preferência da pessoa a ser guiada. Além disso, é sempre bom avisar antecipadamente a existência de degraus, escadas rolantes, pisos escorregadios, buracos e obstáculos durante o trajeto. Num corredor estreito, por onde só é possível passar uma pessoa, coloque o seu braço ou ombro para trás, de modo que a pessoa cega possa continuar seguindo você.

  2. Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão sobre o encosto, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.

  3. Não guie a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a pelo braço. Basta deixá-la segurar seu braço ou ombro que o movimento de seu corpo lhe dará a orientação de que precisa;

  4. Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível.

  5. Se estiver com uma pessoa cega durante a refeição, pergunte se quer auxílio para servi-la, para cortar a carne ou adoçar o café. Ao servi-la, informe o cardápio e pergunte qual alimento gostaria de ser servida, e explique a posição dos alimentos no prato.

  6. Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando conversam com pessoas cegas. A menos que a pessoa tenha, também, uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar. Fale em tom de voz usual.

  7. Ao responder perguntas a uma pessoa cega, evite fazê-lo com gestos, movimentos de cabeça ou apontando lugares.

  8. Quanto ao cão-guia, ele nunca deve ser distraído do seu dever de guia com afagos, alimentos etc. Lembre-se de que esse cão está trabalhando e tem a responsabilidades de guiar um dono que não enxerga.

  9. No convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com deficiência visual de qualquer atividade. Deixe que elas decidam como podem ou querem participar.

  10. Fique à vontade para usar palavras como “veja” e “olhe”. As pessoas cegas as utilizam com naturalidade.

  11. A notar uma pessoa cega sozinha, identifique-se sempre ao aproximar-se dela. Nunca faça brincadeiras, como dizer “adivinhe quem é?”.

  12. Sempre que se afastar, avise a pessoa cega, pois ela pode não perceber a sua saída.

  13. Se você convive com uma pessoa cega, nunca deixe uma porta entreaberta. A porta deve estar totalmente aberta ou fechada. Além disso, conserve os corredores livres de obstáculos, avise se móveis e objetos foram mudados de lugar, isso evita acidentes.

  14. Uma pessoa com Baixa Visão é aquela que possui um comprometimento de seu funcionamento visual, mesmo após tratamento e/ou correção de erros refracionais comuns e tem uma acuidade visual inferior a 20/60 (6/18, 0.3) até percepção de luz ou campo visual ou campo visual inferior a 10 graus do seu ponto de fixação, mas que utiliza ou é potencialmente capaz de utilizar a visão para planejamento e execução de algumas tarefas.

  15. Algumas pessoas com baixa visão utilizam auxílios ópticos, mas nem sempre são recomendáveis para todos os casos, porque os auxílios podem não ter funcionalidade, de acordo com a evolução da patologia e de outros fatores de interferência identificados pela avaliação oftalmológica.

  16. Pessoas com baixa visão podem e devem, se achar necessário, utilizar bengalas. A bengala de cor verde representa a baixa visão.

  17. As pessoas com baixa visão podem, a depender do ambiente, ter uma visão extremamente funcional. Em compensação, em outros ambientes que não são adequados à sua acuidade visual, podem ter extrema dificuldade em enxergar. Isso não quer dizer que ela está mentindo ou enxerga quando quer.

  18. As pessoas cegas, com baixa visão e surdocegas, utilizam aparelhos celulares, com tecnologia assistiva, adequados às suas necessidades. Portanto, ao encontrar uma pessoa com deficiência visual utilizando um celular, não tire as ideias precipitadas de que a pessoa é uma fraude e está querendo te enganar.

  19. Nunca compare as capacidades de uma pessoa cega com as capacidades de uma pessoa com baixa visão. Cada pessoa é única com potencialidades e necessidades diferentes.

 

- Sugestões para sala de aula

Os livros didáticos são ilustrados com desenhos, cores, gráficos, diagramas, fotos e outros recursos inacessíveis para os alunos com deficiência visual. A transcrição de um texto ou de um livro para o sistema Braille tem características específicas em relação ao tamanho, à paginação, à representação gráfica, nos mapas e às ilustrações devendo ser fiel ao conteúdo. A adaptação parcial ou integral de textos é complexa. Assim, ao recomendar leitura, forneça o texto com antecedência para o transcritor de BRAILLE para que este possa realizar a transcrição em tempo hábil.

Pergunte ao aluno quais são as possibilidades e necessidades dele.

Em caso de aluno com baixa visão forneça a avaliação, textos e atividades em letra ampliada de acordo com a especificidade desse aluno.

Os alunos com deficiência visual têm direito à memória da aula (gravação do áudio do professor, dos slides e demais anotações).

Em certos casos, conceder maior tempo para o término das atividades propostas, exercícios, avaliação de aprendizagem, entre outros.

 

  • Pessoas Surdas ou com Deficiência Auditiva

  1. Surdo é aquele que, “por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras” (grifo nosso). Assim, apesar da perda auditiva, o sujeito Surdo pertence a uma comunidade linguística e cultural minoritária, pois possuem uma língua própria, no caso do Brasil: Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Os surdos buscam a identidade social entre os seus, sua legitimação como comunidade linguística e cultural diferenciada. Desta forma, deve-se encarar os sujeitos surdos usuários de LIBRAS como indivíduos que possuem singularidade identitária, linguística e cultural. Já os deficientes auditivos adquirem a língua oral de sua comunidade e se comunicam por meio desta, não utilizando, necessariamente, a língua de sinais.

  2. Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. Quando não falam oralmente, não quer dizer que não tenham a capacidade para falar. Na maioria das vezes, não consegue articular os sons por não ser capaz de ouvir e ter o mecanismo de realimentação auditiva funcionando naturalmente. Com um acompanhamento especializado, a fala pode ser desenvolvida e treinada. Muitos surdos fazem leitura labial.

  3. Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque, levemente, em seu braço. Quando estiver conversando com um deficiente auditivo que saiba fazer leitura labial, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Fale diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela. Faça com que a sua boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente a boca torna impossível a leitura labial. Fique num lugar iluminado e evite ficar contra a luz, pois isso dificulta ver o seu rosto.

  4. Nunca e jamais grite com uma pessoa surda, pois ele não escuta e se o mesmo estiver usando aparelho ou prótese auditiva, que funcionam como amplificador de som, seu grito gerará um grande desconforto.

  5. Se você souber um pouco de LIBRAS, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas.

  6. Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos, as expressões faciais, os gestos e movimento do seu corpo serão excelentes indicadores do que você quer dizer.

  7. Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual. Se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.

  8. Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita.

  9. Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O método não é importante. O importante é a comunicação.

  10. Quando a pessoa surda estiver acompanhada, dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete ou guia-intérprete.

 

- Sugestões para sala de aula

Procure elaborar atividades com ilustrações (quanto mais concreto e ilustrado, melhor será a compreensão).

Utilização de recursos de informática para o auxílio da aprendizagem (CD com jogos educativos específicos para surdos ou deficientes auditivos).

Forneça uma cópia dos textos com antecedência, assim como uma lista de terminologia técnica utilizada na disciplina, para o aluno tomar conhecimento das palavras e do conteúdo da aula a ser lecionada.

Forneça uma cópia dos textos com antecedência, assim como uma lista de terminologia técnica utilizada na disciplina, para o tradutor e intérprete de LIBRAS tomar conhecimento das palavras e do conteúdo da aula a ser lecionada.

Quando utilizar o quadro ou outros materiais de apoio audiovisual, primeiro exponha os materiais e só depois explique ou vice-versa (ex.: escreva o exercício no quadro ou no caderno e explique depois e não simultaneamente).

Para facilitar a comunicação entre você e o aluno surdo, tente aprender alguns sinais para uma melhor relação. Em caso de dúvida, peça ajuda ao tradutor e intérprete de LIBRAS.

Escreva no quadro as datas e informações importantes, para assegurar que foram entendidas.

Na aplicação das avaliações de aprendizagem sempre forneça uma cópia da avaliação para o tradutor e intérprete de LIBRAS para que seja realizada a tradução das questões para os surdos.

Deve-se considerar que o surdo usuário da língua de sinais, necessariamente sofrerá influências desta língua na sua produção escrita. Assim, se faz necessário o estabelecimento de critérios diferenciados de correção de provas discursivas e de redações, a fim de proporcionar tratamento isonômico aos alunos surdos. Neste sentido, deverão ser instituídos critérios que valorizem o aspecto semântico (CONTEÚDO) e sintático em detrimento do aspecto estrutural (FORMA) da linguagem, fazendo-se a distinção entre “conhecimento” e “desempenho linguístico”.

Em certos casos, conceder maior tempo para o término das atividades propostas, exercícios, avaliação da aprendizagem, entre outros.