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50 Anos do golpe

publicado: 29/06/2017 12h03, última modificação: 29/06/2017 12h03

No dia 1º de Abril de 2014, lembramos o golpe militar que mergulhou o Brasil na sua mais cruel e sangrenta ditadura, que durou até o ano de 1985,passaram-se cinco generais e todos coniventes com a tortura e com os assassinatos de patriotas (operários, intelectuais,estudantes e até mesmo militares que não rezavam a sua cartilha).

 Ficaram conhecido como anos de chumbo, anos de exceção, de censura ,de cassações, de medo; Só quem viveu e sobreviveu à aquela época sabe o que foi a ditadura,e sabe o peso da palavra ditador.

Mas o povo resistiu, muito morreram,e em Salvador fomos as ruas ,tomamos as praças( Piedade,Campo Grande,Largo do Tanque e Madragoa), e contribuímos para o retorno da Democracia, libertamos nossos presos ( Haroldo Lima, Emiliano, Carlos Moreira, Zanetti entre outros),exigimos Anistia Ampla Geral e Irrestrita, Eleições Direta e Livres, Já, Constituinte Livre e Soberana.

As gerações futuras cabe aprofundar a radicalidade democratica e fazer valer os instrumentos do estado de direito e corrigir  os desvios, que aos meu ver se traduz na revisão imediata da lei de anistia que levaria a  prisão e julgamentos os torturadores ainda vivo e que  debocham da justiça e do povo.

Para marcar este momento, reproduzo aqui um poema de Pedro Tierra que todas as quartas - feira era declamada na praça da piedade em frente a SSP-BA, seguido dos gritos de Libertem nossos presos!!

 

EM MARCHA 

Venho da pátria dos tormentos.

Venho de um tempo de crimes.

Venho das chagas que a noite

lavrou na carne dos homens.

 

Não pedirei perdão

à corte dos meus carrascos

pelo grito de rebeldia

arrancado do meu sangue,

pelo sonho,

pelas armas,

pela marcha do meu povo

contra os muros!

 

Como se desata o cereal da terra,

levanto meu corpo de trigo

do corpo estendido de Orocílio Martins

sementeira de fúrias e esperanças –,

sangrando nas ruas rebeladas de Minas.

 

Liberto meu canto de pássaro

da voz impossível dos mortos:

luz acesa no porão da treva,

memória enterrada do povo.

 

E canto pela boca destroçada

do Comandante Carlos Marighella

dez séculos depois do silêncio;

pela garganta emudecida

de Mário Alves,

grito eterno que anda;

 

pelos olhos vazados

de Bacuri,

estrelas sangrando na memória;

 

pelas cabeças cortadas

no vale do Araguaia,

terra de rebelião;

 

pelo peito metralhado

do Capitão Carlos Lamarca,

granito de sonho enterrado

entre as pedras do sertão;

 

pelo corpo mutilado

de Manoel Raimundo Soares,

nas águas do Rio Guaíba,

sangue dos ventos do sul;

 

pelas mãos atadas de Alexandre,

arados de terra livre;

pelo sangue derramado

de Aurora Maria do Nascimento,

promessa de amanhecer.

 

E me faço boca

de todas as bocas

assassinadas,

canto de todos os cantos

aprisionados,

sonho de todos os sonhos

submergidos

pela mão armada

dos carrascos do meu povo.

 

Hoje, o Poder se absolve dos seus crimes.

Mantém à sombra dos seus muros

os açoites e as vergastas.

Recolhe sob a manga verde-oliva

as mãos ensangüentadas dos verdugos

e espera...

 

E as mães aflitas do povo

tecem nos cegos teares da dor

um espesso tecido de agulhas infinitas:

 

quem responderá pela morte

dos meus filhos?

 

Quem responderá pelos torturados

até a loucura?

 

Quem assassinou a esperança

de Frei Tito?

 

Quem prestará contas ao meu coração

pelo destino dos devorados?

 

Pelas vidas, pelos sonhos

que a Noite transformou em cruzes?

 

Hoje, o Poder se absolve dos seus crimes.

Recolhe sob a manga verde-oliva

as mãos ensangüentadas dos verdugos

e espera...

 

Do ventre fecundo

das filhas do povo,

das cinzas dos ranchos,

da terra queimada,

das marchas, das greves,

das ruas feridas

nascerão seus julgadores!

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