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“Juventude, empoderamento e representatividade”: Acompanhe os destaques do Novembro Negro no Campus Jacobina

Evento

por Verusa Pinho publicado: 21/11/2018 12h02, última modificação: 21/11/2018 12h02

Inspirado nas raízes africanas, o Coral Vozes de Ouro (Nupe/Uneb) fez a abertura oficial da Semana da Consciência Negra 2018 do Campus Jacobina do IFBA, encantando o público presente no auditório durante a manhã de segunda-feira, 19.

Momentos de descontração, bem como reflexivos e emocionantes, fizeram parte da apresentação. Através de exercícios de relaxamento e dicas sobre técnica vocal, o maestro Paulo Fontes interagiu com a plateia sob o lema da “resistência”, entoando um repertório variado, que incluiu referências brasileiras, como a banda Timbalada e a canção Samba da Minha Terra, de Dorival Caymmi. Ao dialogar com a proposta formativa do Instituto, ele citou curiosidades dos ramos da física e matemática, como a criação da primeira escala musical por Pitágoras. Alunos do campus que compõem as filarmônicas da cidade também foram mencionados pelo maestro.

Em seguida, o diretor de ensino, Andson Rocha, deu as boas-vindas ao público, destacando tópicos da programação. Na ocasião, a professora Juliana Salvadori, coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão (Nupe) da Uneb, frisou a importância de problematizar a data, lembrando os altos índices de violência contra a mulher negra em nosso país. “Em vez de comemorar, precisamos refletir!”, disse.

       Coral Vozes de Ouro no palco (perspectiva da e/d) com o maestro tocando órgão, de costas para a plateia; demais integrantes com os punhos para frente em alusão à canção africana que fala sobre resistência  Coral Vozes de Ouro nas extremidades do palco (perspectiva central); dois alunos jogando capoeira no meio do palco; maestro no canto direito tocando órgão, de costas para a plateia

Ainda no turno matutino, a performance do Grupo de Teatro Rizoma reuniu toda a comunidade IFBA no salão de entrada do campus. O espetáculo “Evocando as Ausências: pela memória dos desaparecidos e mortos na Ditadura Militar” promoveu o debateu a respeito do assunto, relacionando o período de outrora, repleto de “mortes injustas, tortura e perseguição” com a atual conjuntura política brasileira. No fim da apresentação, o diretor do grupo, Iago Setúbal, convidou os alunos para compartilhar suas impressões, sendo recorrente a frase: “Se fere nossa existência, seremos resistência!” 

           dois atores vestidos de preto com uma flor branca em mãos simbolizando a memória dos desaparecidos e mortos na Ditadura Militar; comunidade IFBA assistindo ao espetáculo em círculo, com pessoas sentadas e em pé, no salão de entrada do campus  performance “Evocando as Ausências: pela memória dos desaparecidos e mortos na Ditadura Militar”, com o Grupo de Teatro Rizoma (Uneb); apresentação no salão de entrada do campus; comunidade IFBA em círculo prestigiando o ator Iago Setúbal, que se encontra no centro

No contexto da diversidade, a pedagoga Eliene Sales explanou seu projeto de formação continuada docente. Na sequência, a mesa-redonda “Relações Raciais e Juventude: perspectivas de análise sobre empoderamento, meritocracia e ações afirmativas”, mediada pelo professor de sociologia Jonatã Bittencourt (IFBA), contou com a participação da professora de história e mestra em educação e diversidade Renata Freitas (MPED/UNEB), ao lado da advogada e mestra em estudos interdisciplinares sobre gênero, mulheres e feminismos Leonellea Pereira (NEIM/UFBA).

Em sua fala, Leonellea pontuou a ideologia do branqueamento, elencando aspectos históricos que deram origem à sociedade racista e patriarcal, além de esclarecer a relevância dos benefícios sociais para populações que sofreram apagamento e silenciamento, explicando o conceito de diferença x desigualdade.

Já Renata ressaltou características da religiosidade africana através da própria experiência de vida, evidenciando a autoafirmação dos cabelos crespos como fonte de empoderamento. Ao citar Bacon, ela relacionou conhecimento a poder, exemplificando a referência com casos em que padrões estéticos (“ser branca e magra”) prevalecem sobre o currículo, como em seleções de emprego.

                                            Mesa-redonda “Relações Raciais e Juventude: perspectivas de análise sobre empoderamento, meritocracia e ações afirmativas” com a professora de história e mestra em educação e diversidade Renata Freitas (MPED/UNEB), ao lado da advogada e mestra em estudos interdisciplinares sobre gênero, mulheres e feminismos Leonellea Pereira (NEIM/UFBA). Mediação: prof. de sociologia Jonatã Bittencourt (IFBA); intérprete de Libras do campus, Agda Medrado, sentada no canto direito; Renata ao microfone

Pela tarde, o destaque foi das oficinas e salas temáticas, estas últimas resultantes de atividade indicada pelo docente Jonatã às turmas dos terceiros anos dos cursos técnicos integrados. Para a jovem Gislaine Teixeira, 3º ano de eletromecânica, a experiência foi reveladora. Representando as baianas de acarajé, ela rememorou a história de receitas africanas, como quibebe, abrazô e o tradicional cuscuz, feitas, inicialmente, pelos e para os escravos, porém hoje popularmente conhecidas entre as mais diferentes classes sociais. “A culinária negra representa a força do nosso povo, sobretudo no estado da Bahia”, comentou.

      Oficina de Teatro com a profa. Yarasarrath Lyra (IFBA) e Iago Setúbal (Grupo Rizoma); pessoas em círculo durante apresentação inicial da atividade  Oficina de Dança Afro/Maculelê com o Grupo Filosofia de Vida; pessoas em círculo dançando

      Sala Temática "Culinária Negra"; mural feito de malha preta, imagens e nomes de receitas africanas ao fundo; aluna representando baiana de acarajé em primeiro plano posando pra foto  Sala Temática "Culinária Negra"; mural feito de malha preta e imagens africanas; aluno no canto esquerdo posando pra foto

A programação se estendeu até a terça-feira, 20, e ainda abrangeu cine-debate e desfile. Vídeos e outros registros fotográficos estão disponíveis na fanpage oficial do campus.

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