Você está aqui: Página Inicial > Instituto Federal > Notícias 2016 > II Semana Indígena chega ao segundo dia no campus Seabra

II Semana Indígena chega ao segundo dia no campus Seabra

publicado: 12/05/2016 16h27 última modificação: 12/05/2016 16h31

Hoje (12), no seu segundo dia, a II Semana Indígena do campus Seabra, do  Instituto Federal da Bahia (IFBA) trouxe um conjunto de atividades para o público. Por meio de mesas-redondas, exibição de pôsteres, cines-debate e apresentações culturais, estudantes, servidores e profissionais convidados refletiram e se emocionaram, ao lado dos povos indígenas que participam do evento.

A partir das 15h30, o destaque será das rodas de prosa. Uma delas será com o representante do povoado Riacho das Palmeiras (Seabra), Ed Carlos, enquanto as demais serão conduzidas por lideranças Payayá, Kayapó e Pataxó, além de representantes de comunidades quilombolas a região. 

 Retrospectiva

Na abertura do evento, que aconteceu nessa quarta-feira (11), o diretor geral, Robson Menezes, e o diretor acadêmico, Edinelson dos Santos, lembraram a função social do IFBA e o seu compromisso com o ensino da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”, incluída no currículo oficial da rede de ensino por meio da Lei 11.645/08.

O professor e geógrafo Henrique de Andrade, integrante da comissão organizadora do evento, parabenizou toda a equipe e, em seguida, convidou os estudantes das turmas do 1º ano para conduzir a discussão sobre conflitos agrários indígenas. O jovem Augusto Novais, aluno do 4º ano do curso técnico integrado de informática, foi monitor da Semana Indígena pela primeira vez. “Como é meu último ano no IFBA, quis participar mais ativamente dos eventos institucionais. Estou auxiliando no credenciamento e na recepção dos convidados. Conheço os povos Payayá da região, mas nunca visitei a aldeia em Utinga. Acho que oportunidades como essa são uma maneira de discutirmos este assunto tão pertinente no ambiente escolar”, disse.

Edson Kayapó, professor e coordenador da licenciatura intercultural indígena do IFBA, veio de Porto Seguro compartilhar sua trajetória. Afastado da família por um grupo religioso ortodoxo, conseguiu se formar em história, obtendo o título de doutor. Atualmente, realiza o processo inverso ao que lhe foi imposto, valorizando a identidade de seu povo e lutando em defesa dos direitos indígenas. “Coordeno o projeto ‘Saberes Indígenas na Escola’, para formação de docentes no estado da Bahia. O IFBA está de parabéns ao realizar eventos como esse, cumprindo seu papel social de trazer a discussão indígena à tona. Os alunos estão supercuriosos e ligados na temática”, ressaltou.

Com a família inteira no Norte, Edson ressalta que, independentemente do lugar, é possível manter suas tradições, especialmente as relacionadas ao campo da espiritualidade. “Agora o movimento é inverso: as pessoas querem nos ver caracterizados com a imagem que têm de indígenas e não entendem como um índio pode ser doutor em história, por exemplo. Mantemos nossos costumes, mesmo alcançando outros espaços. Consideramos muito importante ter domínio de outros conhecimentos e tecnologias, inclusive para fortalecer nossa cultura”, comentou. 

Ed Carlos de Oliveira participou do evento para compartilhar a experiência de sua comunidade no reconhecimento da descendência indígena de origem Tapuia. No local, a produção de café garante a renda das famílias. “Vim estudar em Seabra, mas sempre quis voltar pra minha comunidade. Tínhamos a dificuldade de transporte, que conseguimos suprir com a criação da Associação, em 2010, com o apoio de lideranças políticas. Participei desse processo desde o começo; já fui presidente, vice, secretário e hoje estou como tesoureiro. Com essa organização, Riacho das Palmeiras se desenvolveu muito e hoje buscamos o título de comunidade indígena. Os professores do IFBA têm nos ajudado nessa luta”, declarou.

 Mais programação

Amanhã (13), será a vez de discutir a identidade e cultura indígenas e os desafios das políticas públicas para esses povos. Também haverá apresentação de documentários e atividade cultural.

 Fique por dentro

“Esta terra tem dono!” foi o tema escolhido para o evento, que dialoga com a frase emblemática do líder guarani Sepé Tiaraju. Catequizado pelos jesuítas, Sepé redescobre sua identidade indígena durante a Guerra das Missões, no Rio Grande do Sul, voltando a usar a indumentária e falar a língua de seu povo. “Sepé é uma marca para a luta indígena em toda a América Latina. No Rio Grande do Sul, encontramos diversas estátuas em sua homenagem. Os povos indígenas têm nele uma inspiração”, destaca o professor do IFBA Theo Barreto (sociólogo). Segundo o docente, a escolha do tema para a II Semana Indígena lembra que a presença desses povos na Chapada Diamantina é uma realidade, bem como por todo o Nordeste do país. “Dizem que não há indígenas na região. Sabemos que não é verdade! Quando conversamos com nossos alunos e vamos para as comunidades rurais, ouvimos histórias sobre a descendência indígena nas famílias. Os povos nativos da Chapada existem, estão vivos, alguns em busca de reconhecimento, outros misturados nas comunidades quilombolas. É preciso que haja essa rememoração, reconstrução da identidade cultural”, esclarece.

Serviço

O quê: II Semana Indígena do IFBA-Seabra

Quando: 11 a 13 de maio

Onde: No campus Seabra, situado na Estrada Vicinal para Tenda, s/nº, Barro Vermelho

 

Gerência de Comunicação Social (GeCom) - Campus Seabra

 

registrado em: ,