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Estudantes do IFBA têm artigo aprovado para apresentação em Londrina

publicado: 11/05/2016 16h16 última modificação: 12/05/2016 16h53

Estudantes do 4º ano do curso técnico integrado de informática do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Seabra, as jovens Anna Beatriz Machado e Lara Macário, junto com a docente Maria de Lourdes Militão, desenvolveram uma pesquisa sobre a situação dos estudantes de comunidades rurais, propondo alternativas de permanência escolar, como a inclusão digital. Intitulado “Conectando-se a outras redes: uma análise das relações entre a escola e estudantes com ausência de letramento digital”, o artigo obteve aprovação para apresentação e publicação no XI Seminário de Pesquisa em Ciências Humanas, organizado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Tema da monografia para obtenção do certificado de conclusão de curso, as alunas irão apresentar o estudo, inicialmente, nesta sexta-feira (13), no próprio campus, para a banca examinadora. De 27 a 29 de julho, o trabalho será compartilhado com outros pesquisadores do Grupo de Trabalho “Educação e Letramentos Digitais”, no Paraná, durante o Seminário na UEL.

A ideia surgiu da vivência de Anna no projeto Semente Crioula, coordenado pelos professores Maria de Lourdes Militão, que é antropóloga, Azamor Guedes (filosofia) e Ana Carla Portela (língua portuguesa). A jovem foi monitora da disciplina de português na 1ª fase do projeto, que, por meio do fortalecimento de políticas afirmativas, resultou no aumento do número de alunos quilombolas no IFBA, através de curso preparatório voltado para esse público.

“Fomos a primeira turma de informática e passamos por situações que outras turmas não vivenciaram. Percebemos que, ao logo dos anos, o perfil dos alunos tem mudado, por meio das ações afirmativas, o que é louvável para o IFBA. Hoje a maioria vem da zona rural. A inauguração de novos laboratórios e a chegada de um técnico de informática para nos ajudar nesse espaço foram melhorias determinantes também”, descreve Anna.

“Achamos que a estrutura do curso e o empresariado local ainda não estão totalmente preparados para a permanência desses estudantes e sua futura inserção no mercado, respectivamente. Em Seabra, apenas uma empresa firmou parceria para estágio. Precisamos relacionar a grade curricular com o contexto da região, voltado para o empreendedorismo e a agricultura, em especial. Lembrando que muitos alunos não têm acesso a computador e internet em suas casas (zona rural), encontrando, no IFBA, um meio, por vezes único, de praticar seus estudos e se aproximar das tecnologias digitais”, destaca a jovem.

A colega Lara corrobora com a explicação, ao citar que a falta de identificação com a área e incentivo (que poderiam ser aperfeiçoados por meio de atividades interdisciplinares, por exemplo), acaba excluindo colegas com ausência de letramento digital da dinâmica das aulas. “Foi interessante notar, nas entrevistas, que quase todos escolheram o curso de informática, em vez de meio ambiente, enxergando nessa área uma maneira de mudar a imagem de atraso atribuída à zona rural. Sabemos que a exclusão digital é um problema que ultrapassa a alçada do IFBA, mas, com base na responsabilidade mútua, precisamos ser uma ferramenta de mudança”, comenta Lara.

Aprovada no curso de direito na Universidade Estadual de Sergipe (UFS), Anna pretende trabalhar com o direito digital, focando nas leis de segurança e privacidade. Apesar de não pretender seguir carreira como técnica em informática, ela garante que o curso deu subsídio para sua aprovação na universidade. Lara, por sua vez, irá para a mesma instituição cursar licenciatura em teatro.

Para as jovens, o IFBA pode e deve ser essa porta para este "admirável mundo novo". Na opinião de Anna, participar do Semente Crioula foi uma oportunidade de vivenciar coisas que nunca imaginou. “É uma experiência que nos ajuda a entrar na faculdade com uma boa bagagem cultural. Ver o trabalho sendo publicado e saber que há muitas pessoas discutindo o assunto [letramento digital] é ainda mais instigante”, declara Anna. “A publicação do estudo é mais uma prova de que iniciativas como essa podem transformar realidades muito além do IFBA”, acrescenta Lara.

A monografia e o sistema digital desenvolvidos pelas jovens, com descrição de dados a respeito do acesso dos calouros ao mundo da informática, estarão disponíveis para o Instituto como fonte de consulta na elaboração de alternativas que, cada vez mais, promovam a inclusão digital no ambiente escolar e a permanência dos alunos, principalmente os de origem rural e quilombola. Em julho, Anna e Lara embarcam em uma rotina diferenciada (o universo da academia). Nas malas, estão as melhores expectativas!

 

Gerência de Comunicação Social (GeCom) - Campus Seabra

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