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III Semana Preta acontece na próxima semana em Seabra

publicado: 27/11/2015 15h46 última modificação: 21/01/2016 18h04

De 2 a 4 de dezembro, o campus Seabra, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) será o palco da consciência negra. Durante a III Semana Preta, que traz o tema “Vixe! Encrespou!”, mesas-redondas, oficinas, minicursos e apresentações culturais movimentarão o Instituto, em torno da discussão de temáticas ligadas à comunidade negra, especialmente. Religiosidade, música e dança, estética, artesanato, racismo e o protagonismo juvenil estão entre os assuntos do evento. 

Gratuita e aberta ao público, a semana acontece anualmente, sendo fruto da construção coletiva de professores, técnicos administrativos e estudantes, além de profissionais convidados. Na edição 2015, estarão presentes o “Bando de Teatro Olodum”; o autor Luiz Silva, conhecido pelo pseudônimo Cuti, destaque na literatura contemporânea; grupos artísticos e culturais da região, como o “Grãos de Luz e Griô”, de Lençóis, e o “Reisado do Agreste”. A programação completa será divulgada em breve. 

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Transformar olhares, proporcionar outras experiências que permitam a reconstrução da visão de si e do outro, este é o lugar da Semana Preta desde o seu nascedouro. O evento reclama a necessidade do contraponto, no seio da escola, da versão única para quem somos, para nossa história enquanto nação. 

O silêncio acerca da contribuição negra e indígena na formação de nossa nacionalidade, apesar de rompido com as leis 10.639 e 11.645, persiste no cotidiano das salas de aula, ainda orientadas pelo parâmetro civilizatório europeu. Encrespar nossas ações, erguendo nossas bandeiras como a árvore que enfeita a cabeça das mulheres negras, é a alternativa para assegurar que a lei tenha vida, para garantir que ela não adormeça no papel. 

“A ‘III Semana Preta - Vixe! Encrespou!’ é este lugar de circularidade das experiências crespas, que se nutrem da simbologia do Novembro Negro para fortalecer um cotidiano de lutas”, comenta a professora Ana Carla Portela, integrante da comissão organizadora do evento, ao lado dos professores Maria de Lourdes Militão e Azamor Guedes. 

Para ela, a obrigação legal de inserir no currículo oficial da rede de ensino a história e cultura afro-brasileiras ainda não eliminou o racismo institucional. “Às vezes ele está vestido apenas da folclorização, negando aos negros sua condição enquanto sujeitos históricos. Precisamos denunciar o projeto racista de nação, que persiste em exterminar física e simbolicamente a ancestralidade afro-brasileira. Enfrentar o ‘epistemicídio’, dando voz à matriz negra, urge como forma de desvelar um presente, um passado, violento e violentador”, pontua.

 

Coordenação de Comunicação – Campus Seabra


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